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Terça-feira, Julho 12, 2005 :::

"QUEM FALA O QUE QUER OUVE O QUE NÃO QUER"

Tem rolado na Internet mais uma dessas correntes contra injustiças cometidas pedindo apoio e manifestações. Esta em especial se refere a uma professora doutoranda e um bom exemplo da intelectual de carreira acdêmica no Brasil. Ela foi demitida da faculdade de teologia onde lecionava com a seguinte carta:


S.Paulo 21 de junho de 2005

Profa. Regina

Com o intuito de preservar o seu direito ao livre pensamento, assegurado pela constituição brasileira bem como o direito divino, vimos por meio desta, notificar o seu desligamento do quadro docente do nosso Instituto de Teologia a partir de 30 de junho de 2005.

Tal decisão se dá pelo fato de que esta instituição, embora assegurando a sua liberdade de pensamento, não aceita e não concorda com os mesmos, resultando assim, em um impasse insolúvel.

Desejando felicidade, agradecemos a sua colaboração até o presente momento.

Assinam:
Prof. Pe Edmar Antonio de Jesus ¿ Diretor do Corpo Docente
Prof. Pe Pedro Teixeira de Jesus ¿ Reitor do Instituto de Teologia.


Ele seu uma entrevista a revista Época como seguinte título:
O PECADO DO SILÊNCIO
Socióloga lança pesquisa que mostra como a Igreja Católica encobre os crimes sexuais cometidos por padres contra mulheres.

Ao olhar a entrevista de perto dá para perceber a decisão acertada dos reitores da Faculdade de Teologia.
Alguns destaques:
Ela passou os últimos dois anos e meio dedicando-se a investigar as estratégias usadas pela cúpula da Igreja para silenciar vítimas, proteger agressores e encobrir crimes sexuais cometidos por sacerdotes.

A pesquisa, financiada pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) (A ONU é quem paga essa pesquisa)
A pesquisa será lançada em evento na noite do dia 28, em São Paulo, no Espaço de Cidadania André Franco Montoro, no Pátio do Colégio, pela organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir (Organização que apóia e defende o aborto, profundamente contra a doutrina cristã)

Com o título Desvelando a Política do Silêncio: o Abuso Sexual de Mulheres por Padres no Brasil.
(pesquisou 21 casos.)

"Acredito que existem homens na Igreja que encontram um valor no celibato e que vivem isso. Conheço alguns deles. Mas são minoria. Quando conversamos com seminaristas, isso se torna muito claro. Eles dizem que essa é uma regra da Igreja e que estão conscientes de que não vão cumpri-la". (Cadê a base para essas afirmações? Que seminaristas? Como ela pode afirmar que são minoria?)

Todo mundo sabe, dentro e fora da Igreja, que o celibato não é cumprido (Todo mundo quem, cara-pálida?)
São muito poucos os padres celibatários. (Cadê os dados, ela pesquisou ou fala de achismo. Acho os 21 casos analisados um universo pequenos demais para tal afirmação)

Fizemos a pesquisa para pressionar a instituição a reconhecer o problema não como um caso isolado, mas estrutural. (Eis o real motivo da "pesquisa", e chama isso de tese científica, pra mim mais parece panfletagem!)

Note que eu não sou a favor que padres abusem de mulheres, nem que eles não sejam chamados a responsabilidade. Também não acho correto encobrir e tiranizar as vítimas. Mas acho que tratar estes casos com discrição não é crime, pois envolve uma série de elementos que fogem à exclusiva expoisção do acusador, mas de toda uma instituição. Mas o problema não é esse pois existe um jeito de se dizer as coisas como diria a minha avó, e pelo jeito que se diz sabemos a intenção de quem diz. Com certeza essa mulher não quer defender essas mulheres mas quer é outra coisa mais saborosa e mais profunda.

A questão é simples. Não se trata de se fazer uma pesquisa sobre crimes sexuais, mas de pressionar a instituição, a noção de ciência dessa mulher é da mais rasteira pregação ideológica. Colocá-la como vítima da perseguição por ter sido mandada embora do emprego depois de falar mau do patrão e da instituição em que trabalha para uma revista é uma inversão total de valores éticos. O problema não foi o que ela pesquisou mas o que ela afirma sobre o que pesquisou. Ainda, o objetivo de sua pesquisa que fica bem claro nas palavras dela mesma. Por isso não movo uma palha. só temho a dizer que vou escrever um e-mail sim, mas de apoio aos reitores da faculdade que elegantemente a dispensaram dos serviços e é menos uma a influenciar seminaristas com esta idéia torpe do que é pesquisa científica.

::: publicado por Benjamin às 2:28 AMComentários:

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Domingo, Julho 10, 2005 :::

UMA NOTA PARA MEU AMIGO CHICO

Era sábado pela manhã bem cedo, muito fria, como é costume essa época, na capital da estação tubo. Apesar do sol e do céu limpo um vento frio cortava o entre-meio da cozinha e do meu quarto, onde plácidamente dormia. O telefone toca, bem alto e alhei `a minha preguiça de primeira manhã de férias. Costumo acreditar que não descansamos nas férias, apenas recuperamos um poco da sanidade mental para aguetar até o fim do ano. Nunca entendi porque os professores tinham férias no meio do ano, mas percebo que é uma necessidade visto a situação do ensino. E não falo aqui da escola pública sem recursos falo da estrutura que abarca tudo que se entende por ensino legal no Brasil, na obrigatoriedade dos conteúdos doutrinários na obrigatoriedade da presença dos alunos que não querem estar lá, e na empulhação que se chama a formação da cidadania. Quando o telefone tocou atendi ao terceiro toque e ainda sonolento:
- Alô!
- Alô, desculpe acordá-lo tão cedo.
- Sim!?
- Aqui é o professor Delírio, estou ligando para avisar que o trabalho que pedi para o segundo semestre, vocês não precisam mais fazê-lo.
- Mas porque?
- Acabei de ser demitido da PUC.
- Poxa que pena, mas porque?
- Eles estão querendo enxugar os gastos.
- Mas o nosso curso já está com falta de professores...
- É, mas instituição grande é isso aí, mas o negócio é tocar o barco.
- Que pena!
- Obrigado, até mais então.
- Até.
Voltei a dormir, sem delírios.

::: publicado por Benjamin às 10:44 PMComentários:

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Sábado, Julho 02, 2005 :::

É TEMPO DE ELEGÂNCIA

A propósito, se quiserem lere algo que eu realmenta acho que é uma análise interessante de um filme é só visitar A Elegância Vai Ao Cinema que já está na minha lista de Blogs. Diferente desta impresão tosca aqui embaixo, realmente o Francisco se aprofunda na percepção e na compreenção, não do filme, mas sobre o que o filme nos mostra sobre nós mesmos. Muito bom!

::: publicado por Benjamin às 6:38 AMComentários:

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MORCEGO QUE FEDE

Assisti "Batman Begins" e achei uma bosta. Quente, molhado e fedorento. Não vou nem me ater ao fato do absurdo da arma de microondas usada pelo bandidão para evaporar a água dos canos da cidade mas não evapora o sangue no corpo das pessoas. O duro é a construção do Batman. O clássico, ele se sente clpado pela morte dos pais por ter forçado eles a sair da ópera pelo seu medo e assim assume uma postura, primeiro de vingança e na ipossibilidade de se vingar, ele se frusta e entra num processo auto-destrutivo que o leva a cadeia. Ele é resgatado por um homem que representa a Liga das Sombras, uma instituição milenar que visa trazer justiça ao mundo. A idéia de justiça deles é eliminar todas as pessoas más.

O método que o mestre usa para Batman vencer é medo é sublima-lo em raiva e combate. O ódio o alimentaria para lutar contra o mal. Mas quem é o mal da história? Não é o bandido que matou seus pais mas o sistema que o criou através da pobreza e da exclusão social acoertada pela corrupção do estado. Então esses são os verdadeiro vilões. Bruce Wayne se sente culpado por ser rico e tem o dever de ser politicamente correto. Recebe at´uma bronca do Alfred por dirigir imprudentemente o Bat-móvel. Some-se a isso o fato de que se afirma no filme, com todas as letras que os assaltantes de rua não são culpados pois só roubam para comer, nem imagem de criancinha com fome faltou.

Outro ponto que é interessante é que no filme a vontade de justiça exclusivamente social, não há nenhum sentido transcendente no filme e ninguém tem um sentido mairo do que o da própria humanidade, um filme radicalmente horizontal, e a única referência a Deus apareçe n boca do bandido como sinal de hipocrisia. Sem contar que existe um paradoxo irresolvível no filme, a liga das sombras querem fazer justiça eliminando Gotham do mapa, pela sua decadência e corrupção, mas quando perguntado se eles já haviam feito isso, disseram que haviam encontrado uma foram de destruí-la mas não foi suficiente e que agora iriam terminar o serviço. A primeira vez que tentaram destruir Gotham foi, pasmem, pela economia, gerando pobreza e desiguadade social através do acúmulo de capital, mas que agora a nova arma seria o medo introduzido por uma arma química, que faria as pessoas verem monstros ao seu lado e levaria o povo a se matar e se autodestruir para atender ao que a liga das sombras entende por justiça.

Agora se a injustiça social leva à pobreza e a criminalidade que dá o grau de decadência da cidade, a própria liga das sombras criou o mal que quer destruir. E como eles são os bandidos só existe um fonte de maldade e ela é o grupo capitalista e que provoca o medo. Então quem eles querem destruir? Qual é o Mal que eles querem combater? Não existe, a única certeza é que Batman deve impedí-los porque eles querem matar os maus ao invés de recuperá-los. Essa é uma teoria tão tosca que me fez lembrar Michael Moore. E ainda dizem que o cinema só quer nos entreter. Tolinhos.

::: publicado por Benjamin às 6:32 AMComentários:

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