Segunda-feira, Dezembro 29, 2003 :::
Às vezes acreditamos que o diabo faz coisas terríveis. Pensamos que o diabo faz o mal que há no mundo. Que a força do mal é poderosa e nos faz fazer coisas que não queremos. Bem, se o diabo fizesse tudo isso não seria o diabo.
A parte mais maligna, e porque não dizer a própria essência do diabo está justamente no que ele não faz. Se fosse o mal que ele faz que fizesse sua fama, traria sobre ele o peso da responsabilidade que o esmagaria. O que de fato acontece é que fazemos todo o serviço dele. Ao diabo só cabe nos tentar.
Existe algo indestrutível no ser humano, o livre arbítrio. Sempre é nos dado a escolha. Tudo que fazemos é baseado em escolhas. O que acontece é que muitas vezes é muito pouco o que podemos escolher, mas sempre podemos escolher entre fazer o mal ou arcar com as conseqüências do bem.
Sendo assim ficar culpando o diabo por tudo é desculpa esfarrapada. O problema está na fraqueza de nossa fé, do nosso espírito que não é alimentado, das vulgaridades e dos modos mesquinhos que colocamos no lugar da disciplina espiritual.
Perguntam se eu acredito no diabo, mas isso não é importante, a questão é se acredito na minha fé, aí diabo algum vai fazer diferença.
::: publicado por Benjamin às 1:51 AM
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003 :::
Conto de Natal
Ele era um pacato funcionário de uma empresa prestadora de serviços. No final do ano ele sempre amolecia o coração, que não era tão duro assim, e participava de várias promoções de final de ano. Não se incomodava com as pessoas que diziam: "Não adianta fazer caridade no final de ano pra aliviar a consciência". Ele aliviava do mesmo jeito.
Acontece que naquele ano e empresa adotou um orfanato e cada funcionário poderia "apadrinhar" uma criança. Ele olhou a lista com os nomes e escolheu. Valdisnei era o nome do rapaz de 16 anos que iria receber o presente, e além do presente também iria receber um pacote de alimentos e material de higiene. Mas aquele ano sentiu algo diferente. Olhou para a árvore de Natal de plástico na sua sala e as bolinhas reluzentes sobre o presépio de resina, e resolveu escrever uma carta para o seu "afilhado".
" Querido Valdisnei, estou escrevendo para lhe dar um incentivo e dizer que você é muito especial, apesar de tudo acredite que as coisas podem dar certo se você tiver força de vontade e perseverar. Quando você precisar é só contar comigo. Não desista e tenha um Feliz Natal, que o menino Jesus possa nascer no seu coração.
Um grande Abraço"
Jorge Fernando Lima
Enviou o presente e a carta no dia 20 de dezembro. Na véspera de Natal seu Jorge jantava com a família quando a campainha tocou. Largou o peru com arroz à grega e salpicão de frango com cidra de maçã e foi atender a porta. Qual não foi sua surpresa quando na frente de sua casa ele encontrou com um rapaz de cabelos negros, pele clara e estatura mediana aparentando uns 16 anos. Ele disse:
- Ôpa, tudo bom? eu sou o Valdisnei!
- Olá... er... tudo bom? - mei confuso.
- Eu tô aqui por causa da tua carta velho!
- A sim, do orfanato.
- Isso, fugi de lá e agora quero tua ajuda.
- Mas agora?
- Agora. Tô com fome e quero comê alguma coisa.
- Claro, entre e ceie conosco.
- Não valeu tio, só quero comê mesmo.
E depois de comer:
- Agora preciso do teu carro tio.
- Como assim?
- Do teu carro, você não falou que me ajudava na carta. Tô precisando, vô fugi pro norte e preciso de uma condução. Sabe tio a tua carta me incentivô. Era a quinta veiz que que eu tentava fugi, mas quando li pra não desisti fui em frente e saí, robei um posto de gasolina e agora tô precisando fugi. Passei aqui pra agradecer e levar teu carro. Mas fica frio.
- Tudo bem - disse Jorge transtornado - mas vamos fazer o seguinte, levo você onde quiser e depois eu volto pra casa e não conto a ninguém onde você está.
- Tá legal tio mas eu vo precisa do carro pra fazer uma grana, e além, domais o ti deve ter seguro.
- É mas...
- Que é isso tio, você mesmo assim, só pra garanti que a tua mulher não vai chamá a polícia.
Foram os dois no carro até uma certa altura na estrada. Jorge tentava convencer Valdisnei a voltar quando o menino se irritou e no meio da discussão se perdeu numa curva, o carro bateu violentamente contra a árvore e os dois morreram.
Seu Jorge abriu os olhos e tudo que conseguia ver era um homem vestido de branco com asas. no início se assustou, mas uma paz fantástica se apoderou de seu corção. O anjo disse:
- Seja bem-vindo Jorge, fique à vontade.
- Mas onde estou?
- No Céu, alguns também chamam de Paraíso, Jerusalém Celeste, Banquete Celestial.
- Mas porque estou aqui?
- Na verdade pela sua caridade. Lembra do Valdisnei?
- Sim, mas deu tudo errado.
- Deu sim.
- Então, não adiantou nada a minha caridade.
- Pra ele realmente não.
- Eu não estou vendo ele.
- Pois é - disse o anjo - tem gente que não tem jeito.
::: publicado por Benjamin às 3:14 PM
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