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Quinta-feira, Julho 31, 2003 :::

Capítulo I

Três batidas na porta, dona Lúcia levanta-se da poltrona e hesita. Resolve abrir, já sabia quem era e o que ele vinha fazer ali. A angústia não a abandonava havia meses. Saber a verdade, mas agora, com tudo o que tinha acontecido, talvez não fizesse diferença alguma. Mesmo assim tinha tomado uma decisão, talvez a mais importante de sua vida, a de libertar-se.

-Entre - disse ela
-Sabe porque estou aqui.
-Sei sim, entre e puxe uma cadeira.
-Claro, a senhora tem tempo? A história é longa.
-Hora, ninguém tem tempo mais, o tempo é que nos tem, mas estou angustiada e não consigo mais dormir conte tudo.
-Pois não, se bem que agora já não faz mais diferença.
-Sim, mas eu preciso saber.
-Então deixe-me fazer uma pequena introdução para que saiba como eu me encontrava quando tudo aconteceu.
-Tudo bem, mas conte logo.
-Conto:

Quase meio-dia. Acordado, levantei a contra-gosto, era um dia qualquer de agosto, no ano passado. Dirigindo-me ao banheiro tive tempo de olhar pela janela. Nada para ser visto, a não ser pelo de sempre, algumas pessoas caminhando na rua, cachorros sem dono e o ônibus passando no horário como sempre. Fazia frio, apesar do sol. O tempo seco e o vento forte. Lembrei das muitas vezes em que, na infância, acordava rápido, me agasalhava com roupa de ¿briga¿ e antes da nove da manhã já estava montado na bicicleta pra chamar o meu vizinho.

Um dia eu o chamei, de bicicleta, como costume. Ele aparece na porta e pediu para eu entrar. Na sala sua irmã assistia televisão, e seu cachorro também. Ela se chamava Eliane. Não era muito bonita, mas inteligente, simpática. Os olhos azuis e os cabelos louros davam a ela um aspecto mais feminino, enquanto os óculos grossos lhe roubavam o charme. Gostava dela.

Na época eu tinha doze anos, gostava de ler, brincar na rua e me aventurar em lugares e situações desconhecidas. Tinha muitos conhecidos na vizinhança, mas amigos só uns dois, ou três. Henrique era o mais próximo. Nos sentíamos ligados por um isolamento de idade. Éramos os mais velhos entre os mais novos, e mais novos que os mais velhos. Apanhamos muito dos mais velhos, e não batíamos nos mais novos, nos sobravam as aventuras. Henrique era um ano mais velho. Era modelo, exemplo e apoio. Tinha um senso moral e de justiça, desproporcional a nossa idade. Era corajoso e o mais importante, nunca duvidou que eu fosse capaz de qualquer coisa. Ele acreditava em mim, mais do que eu mesmo.

Naquela manhã sentei à mesa do café, Henrique terminava de comer, sua mãe perguntou:
-Vão sair de bicicleta?
-Sim - respondeu ele.
-Aonde vão?
-No parque.
-Voltem antes do almoço.
-Pode deixar.

Realmente, depois de termos comido, pegamos as bicicletas e nos dirigimos à ciclovia em direção ao parque. Próximos ao parque um grupo bloqueava o caminho. Eram os mais velhos, aqueles que batiam na gente de vez em quando, quando não, nos humilhavam. Amarrando numa árvore, cuspindo ou apenas roubando nossas bicicletas e escondendo em algum lugar depois de brincar de demolição com elas. Tinham cinco ou seis anos a mais. Eram mais fortes e em maior número. Estavam em quatro, de bicicleta também. Naquele momento paramos, um medo se apossou de mim, mas não demonstrei, apenas disse:
-O que será que eles vão fazer?
-Sei lá, acho que vão encher o saco.
-Será que vão deixar a gente passar?
-Se não deixarem a gente passa assim mesmo.
-Como?
-A gente corre. - disse ele com confiança.
-Concordei.

Depois de escovar os dentes, tomei banho, me vesti e fui para a rua. Devia chegar ao trabalho antes das nove, eram oito e levava uma hora de ônibus. Não me aborrecia trabalhar num escritório, revisando formulários de pesquisa. O que mais me aborrecia era a mesmice dos relatórios. Este último trabalho era para uma empresa de detergentes. Queriam saber quantas vezes as pessoas lavavam a louça por semana, no entanto, perguntavam coisas como o signo, a freqüência sexual, o número de filhos, a quantidade média de louça lavada por vez e até mesmo a preferência sexual. Perguntavam tanta coisa que chegava a ser ridículo. Se fosse eu a ser entrevistado não responderia a metade e ainda diria meia dúzia de desaforos ao entrevistador. Acho que tem coisas que ninguém tem o direito de perguntar. preferência sexual, freqüência, tudo bem. Até é divertido responder para chocar o entrevistador: ¿Preferência sexual?¿ ¿Carneiros, eventualmente cabras¿ ¿Freqüência?¿ ¿Três vezes ao dia, antes das refeições¿. Agora, perguntar a idade? Endereço? Quem, mora comigo? Se tenho casa própria, ou ainda que ônibus pego normalmente? Isto tudo é abuso, falta de respeito. Ninguém tem nada com isso. E para uma pesquisa sobre detergente? Absurdo.

A parte mais triste do dia, no entanto, era pegar o ônibus. Não pela proximidade com as pessoas, e nem por me sentir como sardinha em lata, mas pelo cheiro. Quando frio todos fecham bem as janelas, impedindo a circulação do ar. E se misturavam cheiros suores diferentes, com perfumes fortes e sempre muito doces, com cheiros de sabonete barato e para finalizar, cheiros de comida, como sopa de galinha com batata, e odeio sopa de galinha com batata. De tempo em tempo, principalmente no verão, alguém vomitava a janta do dia anterior. Era sempre um ensopado com batata, quando não com milho, ou feijão. Misturado com o cheiro já característico do interior do ônibus completava o quadro.

Havia uma tensão no ar. Segurava com força o guidão da bicicleta, agora com confiança, apesar o medo, esperava o momento em que o Henrique diria ¿já¿. Combinamos que correríamos como loucos e gritando, não pararíamos por nada. Os mais velhos teriam que dar passagem, senão bateríamos nossas bicicletas nas deles. Estávamos a uns cinqüenta metros, dava para pegar boa velocidade. Os mais velhos gritaram:
-Ei, vão ficar aí olhando? - disse Alexandre, era o mais alto, filho de alemães, se dizia nazista, adorava Hitler, colecionava objetos da segunda guerra mundial e adorava bater nos nossos vizinhos que eram judeus.
-Não vamos morder! - Falou Alessandro, este adorava meninos mais novos, e de brincadeiras sexuais com eles. Era o mais velho de todos. Tinha mais de 18.
-Só queremos as bicicletas para jogar no rio. - Havia um rio ao longo da ciclovia, onde eram despejados esgoto e lixos em geral. - continuou Alexandre.
Olhei para Henrique, ele olhou para mim, e ambos olhamos para frente. A passagem era estreita, entre o rio e aos muros das casas, pouco mais de cinco metros. Henrique gritou:
-Vamos passar, melhor vocês saírem.
-Ninguém vai passar aqui.
-Não vamos parar! - gritei
-Vão se machucar! - continuou Alexandre.
-E se eles não saírem? - perguntei baixo ao Henrique
-Eu vou para a esquerda, entre eles e a casa, e você para a direita entre eles e o rio.
-Tá bom, mas é muito perto, posso cair no rio.
-Não cai, dá pra passar, é só não parar, além do mais eles ao sair.
E eu acreditei.

Cheguei tarde naquele dia, já estava virando hábito. Todo dia, dez, quinze minutos. Incomodava, de verdade, já sabia que chegaria tarde no ônibus e já começava a passar mal ali mesmo. Lembrava de todas as vezes que tinha me atrasado e também das broncas da minha chefe.

Ela era uma cinqüentona viúva há muitos anos, e um pouco amarga da vida. Usava óculos fundos e saia para baixo do joelho como convinha com a idade. Sempre que falava ouvia-se o peito chiar e a sua voz zumbia estridente, tudo por conta de uma bronquite crônica. Estava sempre acompanhada de uma bombinha que injetava o remédio direto nas suas vias aéreas.
Quando passei pela sua sala Vera, que era diminutivo de Verenice, gritou:
-Isto são horas?
-Na verdade não.
-E qual a desculpa?
-Não tem desculpa, não há o que justifique. Estou atrasado e pronto.
-Como assim?
Henrique gritou:
-Já!

Começamos a pedalar, com força, o mais rápido que podíamos. A barreira dos quatro mais velhos estava cada vez mais próxima, vinte cinco metros e nada deles saírem, começamos a gritar :
-Ahhhhh!
Nem sinal deles se moverem, estavam ficando mais próximos, e o espaço entre eles e o rio, minha única passagem, tinha meio metro, não mais. Decidi não arriscar e seguir em frente, mesmo que eles não saíssem. Pedalei mais rápido e gritei mais alto. Ninguém se moveu, o Henrique desviou, eu não.
-Ora dona Vera, não tenho desculpa nenhuma. Cheguei atrasado porque não acordei na hora. - pronto disse, detestava mentir, e para falar a verdade, a honestidade era mais chocante e evitava ter que ficar me humilhando, tentando fazê-la compreender e aceitar a minha história. Detestava o ridículo de sustentar uma humilhação.
-O que eu faço com você? Quer ser mandado embora?
-Não, não quero. Não acontecerá de novo.
-Tudo bem - ela disse - que não se repita.
Fui para minha sala. Chegar atrasado tirava o meu humor o dia todo, não pelo serviço, mas pelo ridículo da justificativa, da conversa com a chefe. Tinha saudades das aventuras da infância, dos desafios e das lutas. Tinha saudade dos meus inimigos, de ter um mundo a descobrir. Só havia me restado, enfrentar minha chefe, vencer um serviço chato e sem fim. Era tudo previsível, meu salário, o trajeto do ônibus, e minha falta de interesse pela vida. Decidi deixá-la passar, acostumei, acomodei.

Henrique desviou passou entre as bicicletas e o muro, bateu na parede mas não caiu e passou. Eu não desviei e tentei passar no meio deles. Não consegui. Minha bicicleta acertou a do Alexandre, bati forte, a roda da frente travou e dei uma cambalhota no ar, aterrissei com as costas no asfalto, sem a bicicleta, ela tinha ficado presa na do Alexandre e ele caiu junto com ela. Quando viu a cena o Henrique parou e ficou olhando.
Fiquei sem ar deitado no chão, não conseguia puxar o ar, meu corpo doía e meu braço sangrava, um zumbido na cabeça. De repente o Alexandre levantou, com a perna sangrando e chutou minha perna:
-Seu merda!

Pegou a minha bicicleta e jogou no rio, depois foi embora empurrando a bicicleta dele com o pneu furado. Henrique desceu da bicicleta e tirou a minha do rio, me ajudou a levantar, perguntou se estava tudo bem, disse que sim. Fomos juntos até minha casa, para lavar meu braço ensangüentado e minha bicicleta cheia de coliformes fecais e com o guidão torto, mas honrado.

Lendo os relatórios de pesquisa sobre detergentes, senti saudades dos meus inimigos. Era assim que eu estava.

::: publicado por Benjamin às 10:44 PMComentários:

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Domingo, Julho 27, 2003 :::

E do jeito que a coisa anda...

Tirado daqui

::: publicado por Benjamin às 8:32 AMComentários:

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Segunda-feira, Julho 21, 2003 :::

Da série : "Aconteceu Mesmo"

Era uma manhã de inverno, destas brilhantes e geladas com um vento de viés. Pela porta do salão de beleza, que entre outras coisas realiza serviço de cabelo, unhas e depilação, principalmente de áreas íntimas onde o sol de inverno não bate, entra um casal. Ele bem vestido, de casaco de couro, e calça comprada no crediário. Ela com roupa, também no crediário, em microfibra vermelha, saia e blusinha, com um casaco de lâ para combinar.

Estão os dois sentadaos, cada qual na frente de um espelho, avaliando o corte recém feito. Esperam a manicure para cortar, lixar e pintar as unhas.

Pela porta entra então um homem falante, de calça jeans e camiseta, comprados à vista, com uma porção de papéis na mão. Ele se dirige à gerente do salão e diz:

- Oi, tudo bom?
- Tudo, como está o senhor?
- Bem, sabe aquele abaixo asinado pedindo policiamento, funcionou, agora sempre tem dois policiais a cavalo na praça aqui em frente.
- Verdade, muito bom.
- Eu estou fazendo uma campanha sabia?
-Verdade?
- Quem cantar o hino Nacional inteiro, sem errar, ganha dez reais.
- Sério? Eu não lembro bem, antigamente cantava na escola, mas hoje acho que não lembro.
- Também estou preparando para distribuir estes folhetos com a letra do hino. Para divulgar sabe...
- Qual você prefere? Com a bandeira no centro, ou com as bandeirinhas em volta?
- Com as bandeirinhas em volta é melhor, mais bonito.
- Não quer arriscar a cantar? Quem sabe ganha? Mas sem o folheto.
- Deixa eu tenter. Ouviram do Ipiranga as margens plácidas /
de um povo heróico o brado retumbnte... Não lembro mais.
- Que pena. Vamos ver se alguém mais sabe.
- A senhora de casaco de lã e olhando pro espelho, quer arriscar a ganhar dez reais?
- Não, não preciso.
- É só cantar o Hino Nacional.
- Não enche, não quero cantar o Hino Nacional.
- A senhora não sabe? Tudo bem.
- Sei sim, mas só sei em francês! - olhando com deboche.
- Que pena! E o senhor de casaco de couro olhando pro espelho?
- Olha só, não quero cantar, mas se você conseguir cantar em francês o Hino Nacional eu lhe pago mil reais.-com duplo deboche.
- Tudo bem! - e o rapaz de calça jeans e camiseta cantou:

D'un peuple héroïque, les berges placides de l'Ipiranga
Ont entendu le cri éclatant,
Et de ses rayons fulgurants, le soleil de la liberté,
Dans le ciel de la patrie, a brillé, en cet instant.

Si nous avons su conquérir d'un bras fort,
Ce gage d'égalité, En ton sein, ô liberté,
Notre courage défiera même la mort.

O, patrie bien-aimée, Adorée Salut, Salut !

Brésil, un rêve intense, un rayon ardent,
D'amour et d'espoir sur la terre descend,
Si dans tes cieux rieurs, gracieux et limpides,
L'image de la Croix du Sud brille splendide.

Géant par ta propre nature,
Tu es beau, tu es fort, colosse impavide,
Et ton avenir reflète cette envergure.
Terre adorée
Entre mille, Tu es, Brésil, O, Patrie bien-aimée !
Des enfants de ce sol, la mère gentille, O, Patrie bien-aimée, Brésil !

Eternellement couché dans un berceau splendide,
Au bruit de la mer, à la lueur du ciel profond,
Tu étincelles, ô Brésil, fleuron de l'Amérique,
Eclairé par le soleil du Nouveau Monde !

Bien plus que la Terre la plus riante
Tes beaux champs joyeux ont de fleurs.
"Nos bois ont plus de vie", Et "notre vie", "plus d'amours" en ton coeur.

Ô, patrie bien-aimée, Adorée Salut, Salut !

Brésil, que d'amour éternel soit le symbole,
L'étendard que tu hisses étoilé,
Que le vert laurier de cette bannière porte les paroles Paix dans l'avenir, et gloire dans le passé.

Mais si de la justice l'arme forte tu brandis,
Tu verras qu'aucun de tes enfants la lutte ne fuit,
Ni ne craint, celui qui t'adore, même la mort.
Terre adorée,

Entre mille Tu es, Brésil,
Ô, Patrie bien-aimée !
Des enfants de ce sol, la mère gentille,
Ô, Patrie bien-aimée, Brésil!

Até o fim.
Não se dando por vencido o homem de casaco de couro disse:
- Tudo bem, agora eu dobro se você cantar em japonês. - quatro vezes debochado.

E o homem falante, de calça jeans e camiseta, comprados à vista cantou.

Tudinho!

Em japonês!

E o casal se afogou em doboche

"A língua é o chicote do rabo" como dizia a minha falecida avó, que Deus a tenha!.

::: publicado por Benjamin às 4:28 PMComentários:

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Sábado, Julho 19, 2003 :::

Algumas letras sobre blogs

Não importa o que digam, "blogs", são frutos da vaidade. Não adianta. Quando alguém faz um blog é pra ser visto e comentado. Alimentar esta vaidade é um vício. Quanto maior o número de leitores, e comentaristas, mais pesada é esta droga. Não adianta, mais se quer parecer o que não é. Mais se quer fazer propaganda de si mesmo. Os "blogs" se alimentam uns aos outros. "Visito o seu, mas dá uma passadinha no meu." "Ei, fiz um também, me diz o que acha!". Queremos no fundo, ser amados e aceitos. O meu não é diferente. Mas há uma luta a ser travada. Contra o desejo de ser aceito, de escrever para atrair leitores, de fazer auto-propaganda, de se colocar acima de outros "blogueiros" fúteis. Escrever para a torcida é fácil, difícil é continuar escrevendo , quando ninguém mais comenta. E fica a pergunta: Pra que você tem um "blog"?

Aos chatos de plantão que querem "blogs" democrátios, politicamente corretos e periódicos: Vão assistir TV Cultura!!!!!!

::: publicado por Benjamin às 3:34 AMComentários:

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Assisti a um filme, ontem, que gostei muito. Um filme de 1984 "Moscow on Hudson", ou "Moscou em Nova York" no Brasil. ( Inserir aqui um protesto contra os produtores que rosolvem alterar o nome dos filmes quando traduzidos) O filme que fala sobre um russo, do Circo de Moscou, que resolve desertar durante uma visita à loja Bloomingdales. (A idéia está fora de moda, mas que exploda a moda das idéias)

Depois da deserção Vladmir Ivanof, vivido por Robin Wiliams, procura descobrir o que é ser livre e viver nos Estados Unidos. Na verdade a vida dele não muda como mágica, e nem termina o filme rico e famoso, na verdade ele descobre suas limitações e as dificuldades da escolha que fez. No entanto, a liberdade se mostra, não como algo pronto que alguém oferece prontamente e que resolve os problemas, mas algo que cria inúmeras questões. Descobrir a liberdade é descobrir quem se é de fato. Fazer as próprias escolhas é enfrenter dúvidas e tomar decisões, mesmo que de maneira errada. Não há uma cartilha. A liberdade promove, portanto, um processo de indivuluação, de descoberta da prórpia identidade. Não do seu papel social, nem de sua função, mas de quem você é.

Só homens livres fazem escolhas. Escolhas são dolorosas e difíceis. As escolhas acabam revelando quem você é de fato. Arcar com as conseqüências das escolhas é parte integrante da liberdade. Não arcar com as conseqüencias das escolhas é libertinagem. Ser livre é poder escolher, poder dizer sim e não, mas é também aceitar as conseqüencias.

O duro é aceitar as conseqüencias do que escolheram para mim. ( Vale lembrar que só pode ser livre quem é responsável, menores de 18 que os papais respondem por vocês, portanto, não se animem) Quero fazer minhas escolhas, me privar delas é me privar da minha identidade. Quero experimentar de tudo e só ficar com o que é bom, como diria São Paulo. Ser livre não é para covardes nem irresponsáveis. Liberdade é coisa de adultos.

Viva a Liberdade!
(Pode soar brega, mas que se exploda também!)

::: publicado por Benjamin às 3:15 AMComentários:

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Quinta-feira, Julho 03, 2003 :::

Teimosia

Atravessando saudades de sentidos suaves
percebi quase muito tarde
que a verdade a respeito dos tempos,
as barreiras da minha idade

não existiam senão em meu medo
doente e infantil do desastre
a arte de esconder-me num buraco fundo
fugindo da vida ainda cedo

a idade agora vem suave
vendendo meus erros por passado
e o que mais me inquieta
é não ter mais dúvida

Que chorarei muitos fracassos
Que vencerei poucas vezes
Que cada uma delas vai valer a pena
Que não vou parar por nada

::: publicado por Benjamin às 1:33 AMComentários:

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Terça-feira, Julho 01, 2003 :::

Cinema

Assisti três filmes que gostaria de falar sobre, já que pela sua enorme audiência ajudam a disseminar idéias que são automaticamente absorvidas como verdade, respaldadas na sensasão agradável deixada pela cena final, mais do que pela avaliação do discurso. O cinema é assim mesmo. Por isso Deus nos deu inteligência, para superarmos este estado. Usa quem quer.

O Todo Poderoso

Um filme muito interessante. O problema é que na tentativa de falar de Deus e de como o homem deve se entregar a sua vontade ao invés de ficar reclamando, o filme passa uma dupla mensagem.

O fato de usar Morgan Freeman no papel de Deus, não é nada mais politicamente correto, mas nada mais estúpido também. Ao contrário do que se possa imaginar, Deus está para além da forma. Não é homem nem mulher, nem negro, nem branco, nem vermelho. Ele é o que é. O ser por excelência. E não falo só da concepção judaico-cristã, mesmo as religiões nacionalistas, ou no islamismo por exemplo, Deus é que ecolhe um povo e não é determinado por ele. Colocar Deus como negro numa concepção judaico-cristã de Deus, além de ignorar todos os arquétipos culturais ainda não faz nenhuma referência a essa universalidade.

As relações humanas, principamente as sexuais, matrimoniais ou mesmo a idéia que fazem de família, são desprovidas de sentido espiritual. Haja vista o drama central dos personagens principais, que moram juntos e têm relações normalmente, que é o de casar ou não. como se isso fosso uma mera opção cerimonial. Mesmo o fato de ter filhos é uma dúvida a ser esclarecida. Destrói-se tanto a dimen´ão garada da família quanto a do casamento.

As respostas dadas a questões sérias como a oração, como a redenção e o arrependimento são muito fáceis e superficiais. As orações não são sequer ouvidas, o arrependimento é por uma mera constatação do prejuízo pessoal, e a redenção é feita desproporcinalmente aos males causados, passando uma noção irresponsável pelos efeitos do pecado.

Enfim o filme é mais preocupante e horrível pelo que não diz do que pelo que diz de fato.
Usa-se uma mensagem bonita e verdadeira, para passar várias inverdades, falsidades e mentiras.
Mas a mensagem bonita e adequda não compensa o mal que causa o filme, pelas mentiras e maldades escondidas.


Matrix - Reloaded

Um filme muito divertido com seus efeitos visuais e cenas impossíveis. Mas algumas coisas me decepcionaram neste filme. O primeiro Matrix prometia uma reflexão sobre a questão messiânica e o valor da liberdade e da razão que supera a ignorância, mesmo com os excessos e com algumas superficialidades, no entanto, neste segundo filme, sinto que a superficialidade se superou e que as reflexões interessantes foram chutdas com o balde a vaca e tudo. Este segundo fiulme da série é extremamente sexual. A própria visão da cidade Zion me descepcionou bastante. Numa cena totalmente desnecessária e até mesmo deslocada da orgia coletiva dos humanos, numa rave nas cavernas. Se o objetivo era, como acho que foi, mostrar a força da sexualidade, num sentido freudiano, como força motriz da sobrevivência, a cena de Neo e de Trinity já daria conta. assim como o sentimento entre os dois que é o eixo do filme. Uma decisão emocional, irracional, e porque não dizer sexual é que faz Neo frente ao Arquiteto. Sem contar que há um descolamento do significados dos nomes usados no filme e das atitudes dos personagens e das situações. A dimensão do sagrado sai de cena, e a dimensão sexual ocupa este lugar. Sagrado por sexo, apesar de algumas cenas que mais associam a espiritualidade como uma ingenuidade do que outra coisa. Talvez haja uma reviravolta no terceiro filme através de Morpheus e do final inusitado onde reralmente se possa dizer que o filme é mais que uma mera diversão visual. Prefiro esperar pra ver, mas não tenho muitas esperanças.


X-Man 2

Dos três, este é o único filme que mostra um personagem com fé genuina. Algo que há muito não via no cinema. A história é interessantíssima, e mesmo os heróis têm conflitos, problemas e alegrias, mas acima de tudo buscam o auto-conhecimento e fazer o bem. O que é o bem fica claro e evidente, mas todos podem escolher fazê-lo ou não. Quando se rompe o livre arbítrio dos personagens é que os leva ao mal.

O Noturno é um personagem muito bom, o que não é novidade para quem lia as revistas. Ele é o equilibrio do grupo. Além de ser um homem de fé. Muito significativo o drama que ele vive por ter que ir onde não pode ver, arriscando e confiando apenas em Deus, a cena em que a tempestade o encontra é belíssima, e a que ele faz a oração antes de se abondonar em Deus para iro onde não pode ver também.

Dos três filmes é o que mais pode dizer sobre Deus e sobre o bem.
Assista que vale a pena!

::: publicado por Benjamin às 2:23 AMComentários:

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