Terça-feira, Março 25, 2003 :::
Não quero viver do ódio
Não quero culpar os outros
Não quero achar desculpas
Não quero o que não é meu
Não quero ser reconhecido
Não quero que me adorem
Não quero decidir o que é certo
Não quero estar no lugar de Deus
Não quero mentir pra mim
Não quero matar
Não quero chorar
Não quero que me controlem
Não quero que me prendam
Não quero me fazer de vítima
Não quero que tenham pena
Não quero
::: publicado por Benjamin às 1:54 AM
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Segunda-feira, Março 24, 2003 :::
Muitas coisas têm me irritado ultimamente! A minha moto que para mais na oficina que em casa e como ela tem se deteriorado por exemplo. Não consigo nem arrumá-la pra vedê-la. Esses dias quando eu ia levar a moto pra colocar uma placa, que havia quebrado e caído em algum lugar em Curitiba, como se já não bastasse a pane elétrica, que impedia a ignição do motor de outra forma que não fosse no tranco, ainda por cima quando paro num sinaleiro no centro percebo que a alavanca de mudança de marcha havia sumido. Simplesmente não estava lá. Não tendo como mudar as marchas eu tive que desligar a moto e ir a pé. Depois pacientemente comprei uma alavanca similar, já que a original não existe em loja nenhuma e a única concessionária que atendia a minha moto na cidade faliu. Coloquei a alavanca na moto, no meio da rua mesmo, sob olhar curioso de uma série de comerciantes. Como se já não bastasse ainda tive que, de maneira humilhante, epurrar a moto para fazê-la pegar no tranco. Chegando na oficina, o rapaz me olhou com uma cara de descrédito e disse:
- Nessa moto eu não mecho na mecânica!
- Não?! Por quê? - perguntei
- Porque ela dá muito problema!
Tive vontade de responder claro que dá problema. Por isso é que existem oficinas como a sua! Não quis discutir.
- E tem um problema, estou com muito serviço na frente e não sei se vou conseguir mexer nela nem semana que vem!
- Tudo bem, disse eu, mas nem semana que vem?
- Acho que não, mas vou fazer o possível.
Detalhe que já tinha mudado de oficina porque a anterior prometia trabalhar na minha moto, no mais tardar em 15 dias.
Estando a pé passei a depender de ônibus. Não tenho nada contra os ônibus, menos ainda contra as pessoas dentro deles, mas se perde um tempo enorme, comparado com outros meios de locomoção.
E olhe que essa história não é nem metade do que me aconteceu no mês de março. Trablhos inúteis de faculdade, canetas que caem dentro das impressoras impedindo a sua impressão, livros que só existem na única biblioteca da cidade que você não tem acesso, e por isso mesmo é o único que te serve, motoristas que tentam cortar você em dois com a porta do ônibus, atrasos no trabalho, surtos de conjuntivite, salário curto em mês comprido, carta de ex-namorada querendo ser apenas sua melhor amiga e reforma no apartamento de cima durante o sábado e o domingo.
Concordo com o meu amigo chico quando disse que as Bruxas estão soltas no mês de março, e eu nem acredito em bruxas.
Agora, o que realmente me deixa puto é ter que ouvir :
- Os Estados Unidos vão pegar o petróleo do Iraque, depois vão quere a amazônia e vão bombardear o Brasil!
- Porque os Estados Unidos não vão brigar com alguém do seu tamanho!
- As bombas dos Estados Unidos são tão fortes que podem cair aqui em nós! ( Não foi no sentido figurado)
e ter que ver movimentos pacifistas queimando bandeiras, apedrejando embaixadas, estimulando o ódio e enaltecendo a figura de Saddan Hussein!
Pelo amor de Deus!!!!! Burrice tem limite! E o meu saco também!
Quero pular direto pro mês de abril que pelo menos tem o dia da mentira!
::: publicado por Benjamin às 7:34 PM
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Quarta-feira, Março 05, 2003 :::
O VERBO
Amar é verbo, não é sentimento tão pouco emoção, é uma decisão e uma escolha.
Para amar é preciso conhecer,ter liberdade, ter discernimento entre o que é o bem e o que não é e é preciso não responsabilizar o outro nem exigir que ele faça o mesmo. E isto implica numa série de coisas.
Seduzir não é amar. Seduzir é convencer o outro que ele precisa de você. Seja pra lhe dar carinho, seja pra lhe maltratar. A sedução leva o outro a se aprisionar. Isto me lembra de Antonie de Saint-Exupery no livro "O Pequeno Prínípe", a passagem em que a raposa diz ao Pequeno Príncipe: "Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Este trecho descreve bem a situação da sedução. Cativar é tornar cativo, preso. Prender alguém é moralmente se tornar responsável, pela alimentação, pela segurança e pelos desejos do outro, é se aprisionar um pouco também. O sujeito aprisionado não tem escolha, é dependente. Ser seduzido é se tornar dependente do outro, portanto, não é amar ao outro. No entanto o discurso da responsabilidade de quem aprisiona, é do aprisionado. Ele é que clama a responsabilidade do outro. Pede do outro, ortanto está a mercê da escolha do outro. O sedutor tem a escolha de assumir a responsabilidade ou não. Nem o sedutor nem o seduzido amam.
Por muitas vezes a sedução gera no seduzido um estado de paixão. Esta baseada nas emoções e nos sentimentos é um aprisionamento voluntário. Pode até ocorrer, sem a interferência do outro, e quando acontece assim é sempre uma aposta, na correspondência do outro, de que o outro também se aprisione de volunariamente. A paixão é ligada a desejos que queres ser satisfeitos, necessitam do outro. Sentem a falta do outro. Muitas vezes se acerta nesta aposta e se tem momentos ótimos e íntimos. Os dois aprisionados vivem num mundo irreal onde acreditam que o outro é exatamente como ele se comporta na prisão, na sua exclusividade, na sua dedicação e na sua atenção. Mas por se basear em sentimentos e emoçoes, na satisfação dos desejos, os aprisionados percebem que não precisam da prisão, e que já conhecem o outro, e decidem viver juntos e livres, mas a liberdade expõe o outro verdadeiro, e a rotina destrói os sentimentos e as emoções. Difícil continuar juntos depois. A paixão acaba. A paixão não é amor.
Não é por acaso que São João diz que Deus é amor, E que o verbo de Deus se fez carne de Jesus Cristo. Pois só existe um amor. Amar é uma ação, portanto é uma escolha. Uma escolha baseada na liberade, sem se esperar nada do outro. Sem responsabilizar o outro por sua escolha. Sem depender do outro, é incondicional. Amar, é cuidar das feridas internas e externas do outro sem cobrar o tratamento. Amar é sempre dizer a verdade ao outro. Amar é nunca desejar o que é do outro. Amar é perdoar o outro sem nada exigir. Amar é dar a vida pelo outro. Amar liberta da paixão pois não exige nada em troca, nem convence o outro de que ele prcisa de você. Como é baseado na liberdade e na escolha, não depende de sentimentos e emoções, tornando-os dispensávei. O amar não é destruído pela rotina pois precisa se torna a própria rotina. O Amar exige que se conheça o outro na liberdade. sem ilusões o deixando-o livre para ir se quiser, pois não há mais medo de perder, o outro não lhe pertence.
Assim quando alguém ama e não é amado em troca, é a caridade. Quando alguém ama e é amado de volta é a comunhão dos Santos. Quando os que amam e os que são amados se reúnem é a igreja. Quando alguém escolhe outro para amar todos os dias até o fim da vida e o outro faz a mesma escolha recíproca, eles firmam uma alinça pra não ser quebrada, é o casamento.
Ao contrário do que se diz por aí, não é o amor que nos controla, mas nós que escolhemos por ele ou não, e não há mérito nenhum nisso.
::: publicado por Benjamin às 9:05 PM
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